quinta-feira, 22 de março de 2012

Talvez seja o sol que me anda a tapar os olhos e talvez seja a chuva que anda a molhar os meus cabelos, talvez seja o vento que me leva, que me puxa, que me engole e me faz dar voltas em torno dos meus pensamentos.
Sinto-me cercada pelo tempo e mirada pelo passado, por vezes sento-me na calçada estragada e começo a soletrar as palavras sujas que me estragam a ponta da caneta, ás vezes a verdade abre-me a mente e deixa-me pendurada, ás vezes a berma da estrada não se aguenta e caí e eu vou com ela, por vezes os verbos faltam-me e nem consigo decifrar o que escrevo com a ponta da minha caneta tapada, por vezes os pronomes não conseguem substituir o teu nome e não conseguem subentender as minhas vivências, por vezes as ocorrências de coisas na minha cabeça já não são raras mas constantes, ás vezes o mundo é mau e revoltante, ás vezes sou calma e compreensiva só que de vez em quando os a adjectivos não escondem aquilo que sou.
Sinto-me sossegada e o mundo chama-me, acalmo-me e a realidade grita-me aos ouvidos com a potência máxima e eu com a potência de 9 watts calo-me, é esquisito e descabido que a realidade seja assim mas a sua duração é pouca e logo posso ir para a minha calmaria, completamente reconfortante e absolutamente calma, absolutamente recreativa e inspiradora que me faz voar por meros minutos.O mundo é cruel e eu sou a quietude em pessoa quando o mar consegue por em mim a calmaria das ondas e o desejo dos peixes, é maçador o canto dos grilos, é encantador o canto dos pássaros que me leva para norte, que me traz do sul e me deixa no interior, num interior bem calorento e acolhedor, sem o sol o meu dia é monótono, é como que entrasse num monólogo em que só sou eu que participo e falo, onde sou eu a personagem principal sem ajudantes, onde a solidão me chama de filha e companheira.
Nas águas claras vejo-me e concentro-me em recuperar o que gosto, no brilho do sol vejo o brilho dos meus olhos que sobressaem mais do que o próprio brilho do sol, brilho que me cega a alma e me queima por dentro deixando só em mim a esperança de um dia brilhar como a lua que me chama á realidade e me acalma por dentro, um brilho calmo e acolhedor, um brilho contemplador e aliciante, talvez quando a minha caneta  a vir já não tenha a ponta tapada para que assim aprecie a calmaria do brilho infinito que me embala durante a noite e me deixa bem pela manhãzinha, mas que deixa sempre a saudade e o desejo de voltar a vê-la.

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