sábado, 29 de setembro de 2012

O Soldado Verde



  Julgava-me louca e perdida mas a verdade não era essa, a verdade é que me perdia no brilho do seu olhar, aquele casaco verde assentava-lhe que nem uma luva. Aquela tinta na cara escondia mil e uma histórias. Ele acenava-me a mão sempre com cuidado, falar com estrangeiros e ainda por cima filhos de cientistas era imperdoável, é como se ele estivesse a cometer um crime mas a sua beleza natural sempre sorria-me bem discretamente.
A investigação do meu pai pelas florestas da Tailândia andava um pouco tremida, o medo dos que a guardavam até atormentava o meu pai de noite, não o deixavam dormir. Segredava secretamente com a minha melhor amiga por telemóvel no que sentia pelo tal rapaz verde, o que ele me provocava e o quanto espanto ainda me causava por apenas passar pela janela do jipe de investigação do meu pai, o jipe até era confortável e levava nele grande carga, levava nele os meus desejos, os meus pensamentos, levava-me a mim e claro também ao equipamento de investigação, grande responsabilidade que continha.
  Era já noite e a chuva não parava de cair, parecia que o chão era um buraco tão profundo mas assim algo de outro mundo que nem milhões e milhões de litros de água de chuva o conseguiam encher, parecia que o planeta terra continha lá um buraco sem fundo. Do meu “quarto” ouvia o barulho de rituais vindos das florestas que o meu pai tinha vindo a explorar, contra a parede lançava papeis com pensamentos que a minha cabeça gerava, desejos que a minha alma continha e coisas que o meu corpo desejava, não queria mais aquelas calças rasgadas no meu corpo, não queria sentir-me outra pessoa noutra roupa, eu queria a minha vida outra vez mas a minha vida agora era a fauna e a flora.
  O barulho dos gritos desconfortáveis faziam-se soar às cinco da manha, por muito que já não fosse novidade ainda me assustava e acordava, era mesmo surpreendente. A sorte sempre me acompanhará e o meu sonho era sempre interrompido, estava lá eu e ele, cara a cara no meu sonho, ele roçava-se na minha pele em sinal de compreensão e eu, não sei o que fazia a seguir, acordava simplesmente com todos aqueles gritos e nunca mais iria saber o que faria a seguir, ele enchia a minha cabeça toda a noite, a sua farda verde iluminava-me o dia, o seu sorriso ponha o meu coração a mil e os meus desejos matavam a minha alma serenamente, quando a ele me referia, o meu pai sempre me dizia que os meus lábios dançavam e os meus olhos sorriam, eu sempre me enchia de orgulho quando dele falava mesmo não o conhecendo, mas amar é assim, o amor fala por nós e nem nos dá tempo e espaço para pensar.
  Ele era o som puro da melodia daquela floresta, ele era o sol e a lua, o meu segredo e paixão. Aí meu soldado verde, irás amar-me um dia como eu te amo hoje?

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